Estranho começar algo nomeado de urbano com ditos sobre os ultimos 20 dias transmutantes ocorridos - posto que como compania tinha montanhas e montes, pássaros, árvores, fadas cintilantes (as do cerrado são tímidas porém graciosas!) e cachoeiras mais geladas que qualquer riacho do Capão. Essas eram tantas que, numa manhã, quase me perco com um grupo de japoneses acompanhados do nissei tradutor e suas perguntas qual "você ainda acredita em comunismo?". Foi difícil levar a atenção deste para o cheiro das flores e vôo da borboleta-um-palmo (seu azul e preto bailando no espaço!). Engraçado ver que tudo parece fantasia quando você volta para prédios & caos na cidade - e como é absurdo acontecimentos tal o encontro com um russo, que havia morado na argentina e agora rumava para a Bahia (vejam só!). Os olhos dele pareciam mandalas em movimento, e fiquei receoso de parecer gay na minha contemplação vidrada, como o artesanato custoso desse material que ele fazia. Não comprei nada a não ser a flauta do seu 'hermano'; e se não fosse os abacates do mato, limões galego e os cereais eternamente na mochila - jurei que passaria fome. Nada que "começar a dieta de luz" não despreocupasse.
Pois é, de nome Shankara e com mesma idade que eu mas com muita segurança de si e corpo bem tratado, falava sobre alimentação pranahsíca numa roda com gente de várias estirpes (sua fala cômica ainda acompanhava o peso de termos místicos, além do vicio de linguagem tão repetido: "tá... Vamo lá"). Ele mesmo só bebia suco e não por necessidade, desejo. Após, ele me perguntou se eu me masturbava. Surpreso e desconcertado disse que não, e tinha bastante tempo que não poderia trazer o quando mas falei "provavelmente no inicio dos 18 anos". Rindo murmurou "pois devia; é por isso que tem essa atmosfera tão pesada - hormonio e energia acumulados, cuidado pra não atrair um câncer de próstata". Indaguei dizendo que não sentia vontade, mas ele insistiu - "force". Não segui seu conselho. Hoje até que fui ler hentais mas nada instigou, enfim...
Devo parar por aqui pois alguém bate na porta, uma aura familiar, já penso quem seja. Devo abrir pois sua voz já me entrega a certeza que era achado... Nossa, quanto tempo!
